A travessia Japeri x Seropédica é uma trilha muito peculiar. Localizada bem no Centro de Japeri que leva até a área rural de Seropédica, você passa por cenários bastante diferentes e inusitados, toma banho de rio e ainda pode assistir a um belíssimo por-do-sol no alto do morro.
Neste post eu conto os detalhes da trilha, deixo links para você planejar a travessia nos mínimos detalhes e compartilho minhas reflexões sobre a caminhada. Vamos nessa?
Índice do post
- Como chegar na Trilha
- Como é a travessia Japeri x Seropédica
- Fotos da trilha
- Dicas
- Links úteis (treklog, serviços, etc)
Como chegar no início da trilha
A travessia Japeri x Seropédica começa praticamente na estação de trem Japeri, na rua Cheyk Rejame, bem fácil de chegar.

Se você for de transporte público, provavelmente será mais fácil ir de trem, já que a trilha começa bem na estação. Mas você pode consultar a melhor opção neste link.
Agora, se você tiver a oportunidade de ir de carro, além de fácil de chegar, não vai encontrar dificuldades para estacionar o carro. O entorno da estação é bastante residencial e as ruas costumam estar vazias.
Como é a travessia Japeri x Seropédica
A travessia Japeri x Seropédica é uma trilha moderada. Se você optar por fazer o percurso ida e volta, serão aproximadamente 8km no total.
Outra informação importante: a trilha é praticamente plana. Você não vai encontrar muitos trechos de subida e descida. O ganho total de elevação (sem contar a subida à Pedra da Vigília) é de mais ou menos 50m.
No entanto, é uma trilha muito exposta ao tempo. Serão praticamente 2 horas e meia debaixo de sol sem nenhuma sombrinha. Então leve proteção: chapéu, camisa UV, óculos de sol e muito protetor solar. E se você tiver a pele sensível, recomendo também bandana e calças (ao invés de bermudas).
Uma trilha que passa por muitas residências
A travessia Japeri x Seropédica passa por muitos trechos residenciais: metade urbana, metade rural. Na verdade você começa caminhando por ruas residenciais asfaltadas. À medida que você avança, a trilha começa a ganhar características rurais: casas mais simples, onde muitos dos seus terrenos tem árvores frutíferas.
AVISO DE GATILHO: ponte suspensa
O ponto onde que marca o limite entre Japeri e Seropédica é uma ponte suspensa sobre o Rio Guandu. A ponte é extensa (tem aproximadamente 30 metros), balança bastante e está em estado precário. Se você tem medo de situações como essa, evite fazer essa travessia.
Ponto de interesse: Pedra da Vigília
Alguns metros depois de cruzar a ponte suspensa, existe um acesso que leva até a Pedra da Vigília. Por uma subida curta de 15 – 20 minutos, você acessa o pico de 140 metros que tem uma vista 360º linda para os morros de Japeri e Seropédica, a área rural e o Rio Guandu.
Ponto de interesse: Corredeira Nazaré
Uma das paradas na travessia Japeri x Seropédica é a corredeira Nazaré: um ponto excelente para banho no Rio Guandu.
Depois de atravessar as pistas do Arco Metropolitano, altura do KM 88, basta seguir a cerca de arame farpado, onde existe um acesso para caminhantes. Em poucos minutos, você estará às margens do Rio Guandu.
Fotos da travessia Japeri x Seropédica
A travessia Japeri x Seropédica é uma trilha bastante peculiar, que guarda belezas para quem sabe apreciar o lugar fora do comum. Tem rio, tem mirante no topo do morro, tem aspectos urbanos. Vale sua visita.
Dicas
Se você quiser conhecer a corredeira Nazaré, no Rio Guandu, evite visitar em dias posteriores à chuva. A chuva costuma erodir as margens do rio, derrubando lama. Essa lama desce para o rio, deixando as águas bastante turvas e impraticável para banho.
Por conta do nível de exposição da trilha, recomendo fazê-la bem cedinho, nas primeiras horas do dia. Ou ainda, mais para o fim da tarde pra pegar o pôr-do-sol no alto da Pedra da Vigília.
Reflexão
Essa trilha me faz pensar em muitas coisas. A primeira vez que a fiz, voltei um tanto reflexivo. E toda vez que faço a travessia Japeri x Seropédica, penso, entre tantas coisas:
1. Diferença nas configurações dos terrenos
Nas ruas por onde passo na travessia Japeri x Seropédica, noto que as casas na área rural foram construídas sem muito planejamento (característica comum a lugares mais pobres).
Mas o que me chama atenção é que ali, as pessoas construíram por questões de sobrevivência. Diferentemente das favelas que surgiram por falta de condições das famílias de trabalhadores que chegavam da área rural para construir a cidade do Rio de Janeiro, em Seropédica as características são muito similares a comunidades quilombolas.
Quando lembro que essa região e arredores sediavam fazendas – vale lembrar que até início do século XIX eram todas escravocratas – essas reflexões pra mim fazem ainda mais sentido.
2. Saber partilhar até nas piores condições
Ainda assim, com tanto terreno “sobrando”, ninguém tem grandes posses e as casas são muito simples. Todas as casas tem um quintal, um espaço com alguma árvore frutífera: um pé de goiaba, um limoeiro, uma bananeira.
É interessante perceber que os mais pobres (e eu me incluo nesse grupo socioeconômico) sabe da importância de compartilhar os recursos, mesmo que de forma inconsciente, mesmo com poucos recursos. O pouco que tem é compartilhado, e não é apropriado em nome da mera acumulação de bens.